Author: asmochileiras

Sobre o Dia das Mulheres em Dublin e as nossas lutas conectadas

Por: Débora Fogliatto

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08 de Março em Dublin | Foto: Débora Fogliatto

O Dia Internacional da Mulher foi marcado por atos em diversos países, sempre aliando o direito das mulheres a pautas específicas de cada local. Aqui na Irlanda, onde eu moro há quatro meses, o principal tema foi a legalização do aborto, externado nos pedidos de derrubada da oitava emenda constitucional — que determina que o feto tem tanto direito à vida quanto a mulher que está grávida. Milhares de mulheres de todas as idades — e homens apoiadores da causa — marcharam em Dublin, vestidas de preto, exigindo o direito ao aborto legal e seguro.

Esse assunto é bastante polêmico na Irlanda, um país que, embora tenha algumas características progressistas, ainda mantém uma tradição católica muito forte (pra vocês terem uma ideia, o divórcio só foi legalizado aqui nos anos 1990). Aqui, o aborto é crime em todos os casos, exceto quando há risco iminente à vida da mãe, o que significa que a lei é ainda mais retrógrada que no Brasil, onde é possível ter acesso ao aborto também em casos de estupro ou quando o feto é anencéfalo.  Até a ONU já apelou para a Irlanda mudar sua política, que na maioria dos países da União Europeia já é bem mais avançada.

Durante todo o dia 8 de março, houve atos em Dublin, nas principais ruas e pontos tradicionais de manifestações na cidade. As mulheres usavam camisetas com os dizeres “Repeal the 8th” (algo como “Derrube a oitava”, referindo-se à emenda) e carregavam cartazes contra a intervenção da Igreja e do Estado nos seus corpos. A frase “tirem seus rosários dos nossos ovários”, também bastante usada em protestos no Brasil, era uma das mais vistas. Assim como em outros lugares do mundo, aqui o dia também foi convocado como uma greve geral de mulheres, a partir da ideia de que “se nossas vidas não importam, produzam sem nós”.

Uma das coisas mais emocionantes do protesto foi ver mulheres de todas as idades reunidas, inclusive algumas gerações familiares que foram juntas. A grande participação de mulheres mais velhas me surpreendeu positivamente, e ver um casal de idosos caminhando lado a lado bem devagarinho, mas marcando presença, me fez abrir um sorriso. Durante a tarde, um grupo de feministas brasileiras também compareceu à marcha, levando cartazes pela legalização do aborto e contra o governo de Michel Temer. Devido às aulas, eu só consegui comparecer na parte da noite, mas, mesmo tendo começado por volta do meio-dia, o ato continuava forte.

O formato do protesto era semelhante a vários que eu fui no Brasil: frases cantadas repetidamente, marcha por ruas estratégicas, muitos cartazes expondo as reivindicações. Mesmo assim, em certos momentos eu me sentia uma mera expectadora do ato, como se não fizesse parte totalmente daquela realidade e daquela luta. Não pude deixar de pensar: “não é a mesma coisa do que ir a um ato na minha própria cidade”.

Essa sensação foi um pouco frustrante, mas, ao mesmo tempo, ter estado lá também colaborou para eu ter um senso de pertencimento maior à cidade em que estou morando agora. Nunca vai ser a mesma coisa do que o lugar onde passei a minha vida inteira, mas com certeza tem muitos aspectos com os quais eu posso me identificar. Estar ao lado daquelas mulheres me fez querer fazer parte da luta delas e, consequentemente, perceber como as nossas lutas, em qualquer lugar do mundo, estão conectadas.

Chegando na Villa Silj

Bem, antes de chegar propriamente dito, peguei 3 trens e um ônibus. Nos trens a parte de comprar passagem é fácil (mas tem que ter cuidado que dependendo do local e horário a parada é sinistra, porque tem pobreza e pickpockets por aqui também).

E na hora de pegar o bus, quem disse que alguém sabia me informar como eu comprava passagem? Até que depois de dar umas 2 voltas na mesma quadra, pergunta pra umas 5 pessoas que me mandavam para qualquer lugar, um tiozinho me disse “Não precisa comprar, só vai”. Crianças, não façam isso, mas em caso de ser de noite, em uma região mais afastada, tá valendo! Entrei no bus e foi de boa. O motorista não sabia bem o lugar, mas foi super bacana, ajudou a procurar, desceu do bus para me mostrar onde era e me deixou na porta.

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Portão de Entrada Villa Silj | Foto: Mariana Sandini

O lugar é lindo em uma região afastada (lembram que to sem telefone né). Toquei, toquei, toquei na campainha (lembram… de noite, sem celular na estrada afastada), bati palma, gritei, chamei e nada :/ Foi então que chamei a brasileira que tem dentro de mim e dei um jeito. Deixei a mochila grande escondida num matinho do lado do portão e pulei no estilo gatuna. Foi a melhor coisa que fiz, pois o pessoal estava em casa e não tinham me ouvido.

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Minha Casa Trailer | Foto: Mariana Sandini

Fui super bem recebida pelo Bernard, a esposa dele e filho. Com direito a conversa, vinho e uma comida estranha de janta, mas muito boa. O lugar é super legal a tenho um trailer só pra mim, dentro de um jardim histórico em Roma.

Essa semana verei como será o trabalho. É a minha primeira experiência, e o bacana, é que é a primeira experiência do pessoal aqui também. O Bernad me disse que a esposa dele resistiu um pouco, mas de uma hora para outra ela disse “Tá, coloca lá no WorkAway”. E na mesma semana ele recebeu meu e-mail. Bem, bora fazer bonito pra deixar uma boa impressão do Brasil!

Chegada nos aeroportos

Minha saída foi bem tranquila, e claro, apesar da aventura que vem por ai, já cheia de saudade.

Embalei a mochila com ProtectBag por precaução, o valor do serviço foi de R$45,00.

De Porto Alegre ao Rio de Janeiro tudo nos conformes. Chegando no Rio esperei 4 horas (que passaram voando) e peguei o vôo para Madri.
Chegando em Madri, o aeroporto Madrid-Barajas é enorme e muito bem sinalizado. Como foi conexão não peguei a mochila despachada e passei por um novo raio x da bagagem de mão. Mas dessa vez, pediram para eu tirar meu sapato e fui revistada (abri os braços, a mulher conferiu aqui e ali por cima da roupa e tudo bem). Em seguida, já fiz a parte do visto. Só entreguei meu passaporte e o cara me perguntou “Você está de férias? Vai ficar aqui em Madri?”. Eu mostrei a passagem de Madri para Roma e disse “Sim, estou de férias e vou para Roma”. E ele “Ok, pode passar”, me entregou o passaporte e lá fui eu, ficar 5 horas esperando.

Madrid-Barajas

Aeroporto de Madrid-Barajas

O aeroporto de Madri é lindo (lindo mesmo) e tem vááárias lojas caras com coisas lindas de se olhar (mas tudo caro, porque ainda não tá fácil não converter). Uma refeição (considerando sanduíche) varia de 7 a 17 €. Como eu tinha umas comidinhas do avião, comprei apenas uma água por 2 €. Tem também umas promoções de café da manhã, mas não era o meu caso.

Chegando em Madri, meu celular não funcionou. Tentei ligar a cobrar para casa, mas não rolou. Em vááários sites e nas infos do aeroporto, para ligar para o Brasil a cobrar, basta colocar 0,25 EUR e discar 900990055. É, pois é, tentei de todas as maneiras e não funcionou.

Também essa coisa de wifi na Europa é mato, vamos ver… Porque aqui no aeroporto, de graça, só 30 minutos. Mas dá para habilitar no celular e depois no note, com o total de 1 hora para navegar.

Chegando em Roma, o aeroporto Fiumicino não é tão bem sinalizado e a mochila demorou em torno de 1 hora para chegar. Mas, a vantagem é que deu para ligar para casa a cobrar discando o 800172211 sem problemas!

#ficaadica: levei o adaptator de tomadas, mas despachei… O bom mesmo é levar na bagagem de mão para usar nas tomadas bizarras dos aeroportos.

#ficaadica: link com todas as infos para ligar a cobrar para o Brasil: http://portal.embratel.com.br/fazum21/brasil-direto/numeros-de-acesso/

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