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Deserto do Atacama #3

E chegamos ao último post desta série sobre o deserto do Atacama! Vamos direto ao que interessa?

Salar de Atacama

O Salar do Atacama é visitado no mesmo tour que leva às Lagunas Altiplanicas. No meio do salar encontra-se a Laguna Chaxa, onde tem uns flamingos muito mimosos. Esse não é aquele salar dos sonhos, branquinho como o Uyuni, na Bolívia. Devido às cordilheiras, o sal não é “filtrado”, por isso a cor na maior parte do salar é um cinza claro. Pelo que o guia contou, rola uma espécie de disputa entre o Salar de Atacama e o Uyuni. Isso porque o lado boliviano é mais bonito, mais visitado, mas em contrapartida, os chilenos dizem que o Salar de Atacama tem mais lítio que o dos vizinhos. A altitude nesse ponto é de boas. Uns 2300 metrinhos “apenas”.

Salar de Atacama | Foto: Bianca Santos

Salar de Atacama | Foto: Bianca Santos

 Geiser del tatio

Esse é o tour mais difícil. Acordar as 4:30h da manhã, com a temperatura “amena” de cerca de 2ºC, partir para uma viagem que vai te levar a 4800m de altitude e uma temperatura de -12ºC, 12 negativos!!! Quem vai, quem vai?

O ônibus possui calefação, obviamente, e ainda assim chegamos lá com gelo por dentro dos vidros. Chegamos ao campo geotérmico e tomamos desayuno dentro do ônibus, porque ninguém quis montar mesinha bonita na rua naquela friaca. A nossa guia nos pediu uns minutos para nos passar algumas informações e nos mostrar alguns dos gêiseres. Ela nos explicou como eles se formam, e nos mostrou ao fundo o vulcão que é o que “manda na porra toda”, já que é o responsável pelo calor que esquenta a água. Ao lado do vulcão, e possível ver o perfil de um homem, e a lenda então, é de que os gêiseres são o choro deste homem. El tatio significa “o avô que chora”. Dentre os 3 tipos de gêiser que ela nos mostrou, o que mais gostei foi um gêiser cíclico. Ele “entra em erupção” a cada 1 minuto mais ou menos, e a atividade dele dura uns 15 segundos. Em torno dele tem uma limitação, pois não se sabe exatamente o volume de água que ele vai expelir a cada atividade. Fiz um vídeo para vocês verem. Nos outros, se vê fumaça basicamente, ou fumarola, como eles dizem. Diferente do que se vê em sites por ai, a guia explicou que a atividade dos bonitos dura o dia todo, a diferença é a intensidade. Quanto mais frio, mais forte a atividade.

A parada seguinte é na piscina que é abastecida por água dos gêiseres. A essa altura o sol já havia aparecido, então já deveria estar uns… 5 graus negativos. Ainda não rola piscina. O espaço é muito bonito, possui estrutura para trocar de roupa, mas ainda assim encoraja poucos. Eu coloquei a mão na água, estava bem quentinha mesmo. Atrás da estrutura estão uns gêiseres maiores, mas não consegui ir até eles, pois a altitude me pegou de jeito neste passeio. Não é fácil respirar a 4800 metros de altitude.

Piscina de água dos gêiseres | Foto: Bianca Santos

Piscina de água dos gêiseres | Foto: Bianca Santos

Saímos do parque geotérmico e fomos a caminho do povoado de Machuca. No caminho, passamos pelo rio Putana, um rio lindíssimo, que estava totalmente congelado. De lá, avistamos o vulcão de mesmo nome. Este é um vulcão ativo, que dá pra ver até a fumaça saindo dele. Da beira do rio avistamos também a fumaça dos gêiseres da Bolívia, que fica a apenas 7km de lá.

Rio e vulcão Putana | Foto: Bianca Santos

Rio e vulcão Putana | Foto: Bianca Santos

No povoado de Machuca tem umas 3 ou 4 casas, e vivem, ao todo, cerca de 12 pessoas. É um povoado indígena, e vivem do turismo local. Não há muito o que ver lá, há apenas uma igreja em cima de um cume, que também não consegui ir devido ao problema com a altitude, e o espetinho de lhamo, que custa nada menos do que 2500 pesos chilenos, ou R$ 12,00. Não comi porque não tive coragem, admito. Sim, como carne, mas não como lhama. Aliás, a curiosidade fica por conta de que é carne de lhamO. Eles não comem a fêmea, só o macho.

 

Valle del Arcoiris

Este foi um passeio surpreendente e bizarro ao mesmo tempo. Havia agendado para um dia, mas me pediram para trocar para outro, pois naquele dia APENAS EU tinha escolhido visitar o local, então não valeria a pena. Beleza. Chega o dia, lota a van, mas cadê o guia? O guia é o motorista. Ou o motorista é o guia. Um senhor muito atencioso e que sabe muito, mas que não consegue dar a devida atenção, tirar dúvidas e ir explicando as coisas no caminho, como ocorreu nos outros tours. E com a estrada cheia de curvas, ninguém quer tirar a atenção do motorista/guia pra fazer perguntas, né.

Valle del Arco Iris | Foto: Bianca Santos

Valle del Arco Iris | Foto: Bianca Santos

Chegamos ao vale, ele nos deixou na parte mais alta, explicou um pouco sobre a formação e composição das rochas, e desceu com a van para nos esperar na parte mais baixa com o café pronto. O que é incrível deste vale e que não existe um padrão de rochas como o vale de la luna, por exemplo. Para cada lado que você olha existe um tipo de rocha, com um formato diferente, um cor diferente, e sim, textura diferente.

Mas fiquei de fato intrigada, pois havia pouca gente lá também. Não sei se as agências não divulgam muito este passeio, ou se o problema sou eu mesmo.

Na volta, passamos no parque de Hierbas Buenas, que na verdade só vi um tipo de erva e não sei nem pra que serve. Pelas histórias que o guia nos contou, as “Ervas Boas” são ervas que o povo utilizava para os rituais, onde faziam os petroglifos, desenhos riscados na pedra (os pintados se chamam hieróglifos), que são a parte mais importante do parque. Essas ervas não são legalizadas, por isso não tem lá. Né?

Petroglifo lhamas sobrepostas | Foto: Bianca Santos

Petroglifo lhamas sobrepostas | Foto: Bianca Santos

Quanto custa cada tour pela agência Atacama Connect:

– Valle de la Luna e Valle de la Muerte – 10.000 CLP

– Lagunas Altiplânicas e Salar de Atacama – 25.000 CLP

– Geiser del Tatio – 20.000 CLP

– Valle del Arcoiris e Hierbas Buenas – 25.000 CLP

No final das contas saiu 70.000 CLP (R$ 350,00), porque ganhei desconto através do hostel.

Agora simplesmente preciso fazer algumas considerações finais sobre o deserto.

Passei por uma situação de corte de água lá, que para os moradores é comum, mas que para nós, pessoas não acostumadas com a situação, é estranho, mas ao mesmo tempo é uma ótima oportunidade para repensar no seu consumo e em como pode fazer para economizar.

Fiquei positivamente surpresa com a simplicidade e simpatia do pessoal que vive em San Pedro. Como viajante, honestamente não havia encontrado pessoas tão educadas e gentis como lá. Minha surpresa foi porque lá tem muito turista, e em experiências anteriores havia chegado à conclusão de que quanto mais turística a cidade, mais mal educados são os seus moradores. O que é até compreensível, já que tem um bando de gente estranha tomando conta da sua cidade o tempo inteiro.

O deserto, assim como a praia, tem um cheiro muito específico, o qual não sei explicar, apenas sentir! Hahaha!

E deixo aqui o link para o álbum onde estão algumas das fotos que tirei nessa trip.

Enfim, saudades, Atacama! Espero te ver novamente! <3

Deserto do Atacama #2

Não contei nos posts Santiago do Chile #1 e Santiago do Chile #2, mas eu fui ao Atacama antes de ir para Santiago. Minha sugestão é que seja feito o contrário: Santiago, depois Atacama. Por quê? O deserto é tão incrível, e você vai ver tantas coisas lindas e impressionantes, que tudo o que vier depois vai parecer meio chocho.

Mas vamos ao que interessa: tours!

Pesquisei horrores antes de ir, porque existem muitas agências, muitos passeios e muitos valores diferentes. Claro, pelo que pesquisei também, alguns mais baratos não tem carros tão confortáveis (para alguns passeios esse é um fator determinante), café da manhã meia boca, guias não tão preparados e por aí vai. Enfim, toda minha pesquisa foi por água abaixo quando cheguei ao hostel e a queridíssima Nancy me mostrou os valores dos passeios da agência com a qual ela tem parceria, e que ainda conseguia um desconto camarada. Para me provar as vantagens, trouxe um folder com os preços de uma das agências locais. Pronto, estou convencida. Escolhi Valle de la Luna e Valle de la Muerte, Lagunas Altiplanicas e Salar de Atacama, Valle del Arco Iris e Geysers del Tatio.

Valle de la Luna e Valle de la Muerte

Os dois vales ficam dentro da chamada Cordillera de la Sal, que fica no caminho entre Calama e San Pedro. A altitude é relativamente baixa, 2800 metros (considerando que alguns lugares estão a quase 5000 metros). Esses são os passeios indicados como iniciais, para o corpo se acostumar com a altitude.

Para o chamado Valle de la Muerte existem duas versões. Uma é de que um padre gringo achava que o local lembrava Marte, mas com o sotaque as pessoas entendiam muerte. Outra versão é de que todos que tentavam atravessar o vale, animais ou pessoas, acabavam morrendo por lá. O guia desse tour disse que não há provas concretas da segunda versão, apesar de ela ser a versão mais interessante. Como a visita ao vale é um “bônus”, já que o passeio principal é o Valle de la Luna, é tudo super rápido. Coisa de 15 minutos. O pessoal desce, o guia conta a história, tira foto e pronto. Dentro desse vale encontram-se as dunas que a galera usa pra praticar sandboard, mas não chegamos até as tais dunas.

Valle de la Muerte | Foto: Bianca Santos

Valle de la Muerte | Foto: Bianca Santos

Já no Valle de la Luna, a aventura inicia com uma caminhada em uma “cova” de sal. É bem tranquilo, dura uns 10 minutos no máximo, e tem dois trechos onde precisa fazer um esforço um pouco maior, porque o espaço para passar é estreito e bem baixo. Saindo do túnel é que vem o problema (para mim, no caso). Você tem a opção de voltar pela cova, ou então de subir um lance bem alto, do tipo que pessoas sedentárias se cansam só de olhar. Eu olhei, cansei, mas já que estava ali, puxei o ar e fui! Cheguei lá em cima morrendo, achando que aquele sim que deveria se chamar Valle de la Muerte, mas valeu a pena o esforço.

Valle de la Luna | Foto: Bianca Santos

Valle de la Luna | Foto: Bianca Santos

Depois disso, seguimos rumo a uma duna, onde se tem a vista panorâmica de todo o vale. Quando o ônibus estacionou e o guia apontou pra uma duna gigantesca e disse que subiríamos lá, tive vontade de chorar. Mas novamente, já que eu estava lá… E foi incrível. É possível ver todo o vale, com os vulcões ao fundo fazendo o contraste. Do outro lado uma grande área coberta de sal, e uma pedra gigantesca que se chama Anfiteatro.

Sal no Valle de la Luna | Foto: Bianca Santos

Sal no Valle de la Luna | Foto: Bianca Santos

A parada seguinte é na Pedra do Coiote, onde fomos ver o pôr do sol. A tal pedra é bem naquele estilo de tirar foto para matar a mãe do coração, bem na beira, com as pernas para baixo.

Lagunas Altiplanicas

O inicio deste tour é cedo, por volta das 7h. O ônibus passou no hostel para buscar, e fomos em direção ao local onde tomamos o desayuno, que está incluso no pacote. A viagem ate lá é cerca de 1h e meia, então dá pra dormir um pouco. Chegamos ao local, que é como um restaurante muito simples, onde várias agências param para tomar seu café da manhã também, que inclui pão caseiro quentinho (que mais parece uma bolacha maria gigante), manteiga, geléia, ovo mexido, e chá. Não sei se estava com muita fome, mas achei tudo uma delícia. Bem alimentados, partimos para as lagunas. Depois de pagar a entrada do parque, de 3000 pesos (cerca de R$ 15), seguimos até a primeira laguna, a Miscanti.

Laguna Miscanti | Foto: Bianca Santos

Laguna Miscanti | Foto: Bianca Santos

Essa é a mais famosa nas fotos do Google, mas quando cheguei achei bem diferente. Claro, ela estava completamente congelada, o que a deixa com o visual bem diferente. Existe uma limitação em torno da laguna e da vegetação que não pode ser ultrapassada, que, segundo o  guia, é passível de multa. Tem um caminho que leva até bem próximo à laguna, mas o Ludwig, nosso guia, nos aconselhou a não descer, pois a subida seria muito difícil devido aos 4200 metros de altitude. Como eu já estava um pouco afetada pela altitude, preferi seguir o conselho dele.

Laguna Miscanti | Foto: Bianca Santos

Laguna Miscanti | Foto: Bianca Santos

De lá, seguimos para a segunda laguna, a Meñiques, que fica do ladinho, mas que ir a pé é impossível, considerando o cansaço que a altitude causa.

Laguna Meñiques | Foto: Bianca Santos

Laguna Meñiques | Foto: Bianca Santos

O que separa essas duas lagunas é a lava de uma erupção do vulcão Meñiques, ocorrida a milhares de anos atrás. Anterior a esta erupção, as duas eram uma só. Não tem como descrever ou mostrar fotos que expressem a beleza incrível desse lugar, por isso digo: vá até lá!

Caminho para Laguna Miscanti | Foto: Bianca Santos

Caminho para Laguna Miscanti | Foto: Bianca Santos

No próximo e último post sobre o Atacama, falarei sobre o Salar de Atacama, Geysers del Tatio e Valle del Arco Iris!

Deserto do Atacama #1

O deserto do Atacama fica no norte do Chile, e é considerado o mais árido do mundo. Essa aridez toda é algo que, literalmente, você sente na pele logo que chega lá. A boa notícia é que essa lindeza de lugar é tão pertinho que não muda sequer o fuso horário e relação à Brasília! Passei 6 dias por lá, em julho de 2015, e vou contar como foi essa experiência, além de dar algumas dicas valiosas! E a primeira, e talvez mais importante, é: nunca, jamais, fique sem uma garrafa d’água.

O oásis no meio do deserto é a cidadezinha de San Pedro de Atacama, que tem o aeroporto mais próximo cerca de 100 km de distância, na cidade de Calama. É em San Pedro que a maior parte dos turistas se hospeda, o que significa que tem bastante opção de hospedagem, restaurantes, lojinhas e lugares para turistar.

Praça principal de San Pedro de Atacama | Foto: Bianca Santos

Praça principal de San Pedro de Atacama | Foto: Bianca Santos

Como cheguei

Bem simples. Voo de Porto Alegre a Santiago, com escala em SP, e depois de Santiago para Calama. Também é possível ir de ônibus, saindo de Santiago. O terminal fica na estação de metrô Pajaritos, onde tem guichê de várias empresas diferentes, e com valores de passagem diferentes. Mas como essa é uma viagem de 24h, vale dar uma olhada nos ônibus antes de se jogar na passagem mais barata.

Já em Calama, tem várias opções de transfer que levam e buscam na porta do lugar aonde você vai se hospedar, e o valor para ida e volta é de, em média, 20000 pesos chilenos (CLP), que é cerca de R$100,00.

O transfer que eu peguei foi da empresa Transvip, paguei mais barato, 18000 CLP, e eles foram super pontuais. Recomendo.

#ficaadica: se você for de avião de Santiago para Calama, escolha uma poltrona do lado direito. Se, como eu, você pegar o voo das 7h, verá o sol nascendo no deserto. 😉

Hospedagem

Fui extremamente bem recebida no hostel onde fiquei. É um hostel familiar, onde mãe e filha cuidam de tudo. Nancy, a mãe, me recebeu com um café da Costa Rica, que mais parecia um chá, mas que naquele frio me pareceu divino! Me explicou todo o funcionamento do hostel, me falou dos brasileiros que estavam por lá (sempre tem), imprimiu um mapa e mostrou tudo que pudesse ser de meu interesse. Bem diferente das experiências que eu já tive em hostels por ai.

Área comum no hostel | Foto: Bianca Santos

Área comum do hostel | Foto: Bianca Santos

O hostel fica pertinho do que é considerado centro. Como tudo é extremamente perto, não faz diferença. Uma vantagem da localização deste hostel é que ele fica ao lado do estacionamento municipal, onde os tours acabam. Escolhi ele pelo preço, claro, e pela vista que tem para o vulcão Licancabur. A cama é muito confortável, com muitos cobertores, e tem armário para guardar a mala com chave (que cabe uma mala grande de boa). Nancy me deu uma chave de acesso ao quarto e à casa, que fica sempre fechada. O espaço todo é bem grande, com piscina, área comum, cozinha limpa, banheiros limpos. Uma preocupação que eu tinha era em relação ao banho, pois havia lido que alguns lugares limitavam o tempo de banho, não tinham água quente, etc. Nada disso me foi falado. A água esquenta de forma instantânea e não é aquele chuveiro que você tem que brigar com ele para conseguir achar a temperatura certa. Uma coisa bem legal é que eles reciclam tudo que for possível. Tem várias lixeiras específicas, e nada de lixinhos nos quartos, justamente pra inibir as misturanças. A única coisa ruim é que os banheiros ficam na rua. Se acordar de madrugada apertada, melhor permanecer embaixo da coberta! Este amor de lugar é o Hostal Lackuntur, e a diária em um quarto feminino com 4 camas é de R$ 60,00. E se você não curte a ideia de hostel, relaxa, pois em San Pedro tem hotéis chiquetosos e spas.

Alimentação

A maioria dos restaurantes tem o prato do dia, o que sempre é o melhor negócio, já que o valor é mais em conta e é menos demorado para ficar pronto. Como todo lugar turístico, a área central é mais cara para comer, mas tem alguns restaurantes bem baratinhos também. Coisa de R$15,00 o almoço. Lá não tem mercado grande, apenas uns mercadinhos, e os preços são bem salgados. A lata de atum mais barata custa R$6,00. Pensei que fosse caro por ser uma cidadezinha no meio do deserto, mas depois descobri que esse é o padrão chileno de preços. Caro.

O que levar

Estudei muito sobre o Atacama antes de ir, e depois me dei conta de quanta dica furada que eu li internet afora. De ter que levar calçados específicos, calça que vira bermuda, casaco corta vento. Ai gente, não. No tour que eu mais caminhei, havia uma senhora usando salto e sem problema algum. Recomendo ir de salto? Não, mas é só para dizer que não precisa comprar bota de trekking. Única coisa que eu acho importante é que o calçado não escorregue, porque como tem muita areia e pedras, não é difícil resvalar e cair. Quanto à roupa, sempre a mais confortável possível, e se for no inverno, leve casacos e calças que comportem outros casacos e calças por baixo, porque pela manhã e à noite, bem como nos lugares de maior altitude, faz um frio sem explicação. Um bom investimento no quesito roupa é a segunda pele térmica. Comprei blusa e calça na decathlon, por R$100,00, os dois juntos e são de ótima qualidade. Casaco bem quente também é necessário, além de luva, cachecol e touca. Mas o que você já tem, nada de mimimi corta vento, mimimi impermeável.

Algumas das dicas que eu li foram de extrema importância, e devem ser levadas bem a sério.

Hidratante: devido à aridez do lugar, a pele seca MUITO. Tem que se jogar no hidratante mesmo, porque a pele descama horrores. Eu levei um do tipo embalagem econômica, para usar em tudo, corpo, rosto, pé, mão, mas um específico para mão teria sido uma boa, já que não rolou levar a embalagem econômica na bolsa o dia todo. Até poderia, mas eu já era a maluca que tira foto de boneco da caixa de sucrilhos, então achei melhor evitar. Ah, leva hidratante labial também, viu!

Colírio e soro fisiológico: os olhos secam tanto que doem, o nariz seca tanto que sangra. Levei colírio, mas não levei soro, e me arrependi bastante.

Protetor solar: é óbvio, mas o óbvio tem que ser dito. Em frente ao museu tem um “solmaforo”, que indica como esta o sol no dia e como deve ser a proteção, com tempo máximo de exposição ao sol para o seu tipo de pele. Bem legal.

Solmáforo | Foto: Bianca Santos

Solmáforo | Foto: Bianca Santos

Ok, ok. Você não vai até o Atacama pra ficar dando voltas em uma mini cidade de menos de 2000 habitantes né? Então olhe a foto abaixo, e aguarde pelo próximo post! \o/

Vulcão Miñiques | Foto: Bianca Santos

Vulcão Miñiques | Foto: Bianca Santos

Santiago do Chile #2

No post anterior falei em câmbio, transporte, hospedagem e comida. Mas o que fazer em Santiago? Bueno, não sou adepta de guias ou roteiros, então vou apenas listar algumas sugestões.

Bares

A vida noturna de Santiago é agitada. Tem opções todo santo dia. Cheguei em uma segunda-feira, e tinham festas bombando nas boates do bairro. Fiquei hospedada no Bairro Recoleta, e o hostel fica uma quadra da rua mais agitada que tem nas redondezas, a Pio Nono. Tem uma variedade bem grande de bares nessa rua, e as festas fechadas são todas próximas a ela também.

Uma coisa chata que descobri, é que você não pode simplesmente sentar em um bar e pedir uma cerveja. Para beber, você tem que comer. Bizarro. E uma porção pequena de batata frita é quase R$20,00. Outra coisa é que você não pode beber na rua. Passar no mercado, pegar uma ceva no final do dia e ir bebendo pela rua? Nem pensar, é crime. E como tem muito policiamento nas ruas, melhor não arriscar.

O preço da cerveja? R$ 13,00 uma cerveja 600ml, equivalente a uma Brahma no Brasil, e quase temperatura ambiente.

Mas e o vinho? Sorry, gente. Não gosto de vinho.

Tours a pé

Fiz um tour pela parte histórica de Santiago, incluindo Plaza de Armas, Palacio de la Moneda, Cerro Santa Lucia, e arredores, e esse tour é feito por uma empresa chamada Tours4Tips, ou seja, eles sugerem um valor a ser pago ao final, mas você paga o quanto achar justo. E não rola nenhuma pressão para pagar mais ou algo do tipo. Tanto que quando você entrega o dinheiro, eles sequer olham o valor,  apenas colocam no bolso. Você tem a opção de fazer a pé sozinho e sem precisar pagar nada, certo? Sim, mas se você, assim como eu, não é o maior conhecedor da história do Chile, super vale a pena.

Palacio de la Moneda | Foto: Bianca Santos

Palacio de la Moneda | Foto: Bianca Santos

Museu de Belas Artes

Eu tenho a sensibilidade de um rinoceronte para arte, admito, mas algumas áreas desse museu são lindíssimas. No site do museu você pode verificar o que está exposto no mês atual.

Escultura de bronze no Museu de Belas Artes | Foto: Bianca Santos

Museu de Belas Artes | Foto: Bianca Santos

No dia em que visitei, havia uma exposição sobre os chilenos, com fotos de pessoas em sua vida cotidiana, em sua maioria muito pobres. Outra parte da mesma exposição mostrava homens mutilados por conta da guerra. São fotos realmente tocantes.

Museo de la Memoria y los Derechos Humanos

Esse é necessário tempo, pois é enorme. O museu inicia informando sobre as ditaduras militares pelo mundo, e as comissões que vieram posteriormente para tentar desvendar os mistérios de desaparecimentos e tantos absurdos que a ditadura proporcionou. No quadro do Brasil, vejam só, comissão encerrada sem investigações concluídas.

Entre as atrações do museu, está o vídeo do dia do golpe, o áudio de Salvador Allende, presidente na época, falando na rádio pouco antes de morrer, depoimentos de pessoas que tiveram familiares levados de suas casas, de sobreviventes de torturas e de fuzilamentos. Pesado, mas vale a pena.

Junto ao museu dos direitos humanos, na estação Quinta Normal, estão mais alguns museus, como o de arte contemporânea e o de história natural. Para todos estes museus, a entrada é gratuita. O único que você pode pagar (se quiser), é o de arte contemporânea. O valor é de 1000 pesos chilenos para fazer a visita guiada, que deve ser agendada. Mas se quiser apenas visitar o lugar, de boa, entrada free também.

Curiosidade

Apenas para que ilustrar o problema que o Chile tem com cachorros de rua, os chamados quiltros, vou contar uma história curta: um belo dia, eu estava na área de check-in no aeroporto de Santiago, que fica no terceiro andar do prédio, e tinha um cocô de cachorro bem no meio da fila. Fim.

Os cachorros de rua estão em toda a parte. Dizem que os chilenos se importam mais com os cachorros de rua do que com as pessoas. São mais de 200 mil deles no país. Eles são gordos, fofos, muito bem educados e inteligentes. Eles usam roupinhas no inverno, e nos parques existem muitas casinhas e comida para eles. Alguns são castrados, e tem identificação do tipo: “Você pode me levar pra casa”, ou “Não me leve, eu tenho dono”. Em um tour que fiz, a guia explicou como tudo começou. As pessoas saíam para trabalhar e deixavam seus cachorros não castrados na rua, para não deixá-los presos. Irresponsáveis com boas intenções? Bom, o resultado está aí.

Em Valparaiso entrei em um ônibus, e lá estava um cachorro super de boa. Passadas algumas paradas, ele desceu do ônibus e seguiu seu rumo. Uma graça!

Por fim, digo que apesar de não ter sido minha melhor viagem, recomendo a visita para Santiago. Como uma viajante apaixonada, penso que todos os lugares merecem e devem ser visitados, afinal de contas, cada pessoa sente e vive essas experiências de sua forma. A que você acaba de ler foi a minha, e eu espero que a sua seja fantástica! :)

Santiago do Chile #1

Santiago é um jovem senhor que já viveu muito. Passou por fases conturbadas na vida. Foi até pra rua protestar, certa vez, acredite. Mas agora Santiago está naquela fase tranquila, sabe? Quer tudo organizado, limpo, sem zoeira. Santiago é do tipo que usa terno, e nos momentos mais descontraídos usa camisa polo e sapatênis. Cores neutras, sempre. Acho que ele não quer chamar atenção, e está tendo sucesso na empreitada. Ele bebe apenas vinho, e só gosta de um tipo. Nem invente de oferecer outro. Santiago é alguém que passa segurança. Alguém que venceu na vida. Mas Santiago, por  vezes, deixa as pessoas cheias de tédio. Sempre tão correto, que saco! Tenho certeza que Santiago é Allende e não Pinochet. Na minha opinião, Santiago deveria beber cerveja, ir pra praia, usar vermelho. Mas se ele não gosta, não posso obrigar, afinal, ele gosta de ser assim. E tem gente que gosta dele assim também.

Se Santiago não fosse uma cidade, e sim um homem, assim eu o descreveria.

Quando estive no Atacama, conheci umas meninas de Valparaíso. Falei que iria para Santiago, e a reação foi imediata: “Santiago é feia!”. Fala sério, com aquela cordilheira, como vai ser feia? Achei que era recalque.

Estive em Santiago durante o inverno, o que pode ter impactado diretamente na minha visão sobre a cidade. Santiago é fria. E não falo apenas do clima. É uma cidade opaca, sem cor. De forma geral, é uma cidade como qualquer outra, feia até, mas que tem a Cordilheira dos Andes ao fundo. Cordilheira essa que muitos dias não é possível ver muito bem. Apenas um dia o tempo estava aberto, e deu para apreciar a beleza da cordilheira. Lindo demais!

Vista de Santiago em Cerro Santa Lucia | Foto: Bianca Santos

Vista de Santiago no Cerro Santa Lucia | Foto: Bianca Santos

Além do fator inverno, o que atrapalha a vista é a poluição, já que é uma cidade grande, dentro de um “buraco”, e o ar fica ali concentrado. Durante minha estadia, foi inclusive emitido um alerta ambiental, pois devido à falta de chuva, a situação da qualidade do ar piorou. Nesses alertas, são feitos rodízios de carro, e fica proibida a utilização de lareiras a lenha, além de fechar algumas fábricas.

Apesar disso, preciso admitir que Santiago é uma cidade organizada, e que tem coisas bem interessantes para ver e fazer. Agora vou dar uma pincelada em assuntos básicos de interesse de todo (ou quase todo) viajante sobre cidades a conhecer.

Dinheiro

Havia lido em vários blogs que a hospedagem deveria ser paga em moeda forte (dólar, euro, libra…), para ter isenção de imposto. Balela. Levei dólar para a hospedagem, e eles não aceitaram. Apenas pesos chilenos, sem choro. Para mim, foi mais vantajoso trocar a grana lá. Na verdade levei alguns pesos do Brasil, e lá saquei o restante que usaria durante a viagem. Mas o que é importante ressaltar é que mesmo que você vá fazer o câmbio no Chile, deve chegar com moeda local, porque eles não aceitam outra moeda. A Argentina nos deixou mal acostumados nesse quesito.

 Aeroporto

O aeroporto é relativamente perto da área central. Cerca de 20 minutos de carro. Para sair de lá, você pode pegar um ônibus, que custa 1500 CLP (Pesos Chilenos), ou R$7,50, e depois o metrô. Ou pode pegar um transfer (recomendo a Transvip), que custa 7000 pesos, ou R$35,00. E tem táxi, mas é super caro, uns R$100,00.

A área de embarque internacional é enorme e com muitas opções de comida e de compras em geral. O legal, é que além dos restaurantes ultra caros (um Subway carne e queijo por R$25,00, oi?), tem uns mini mercados que vendem sandubas ótimos, com um preço justo.

 Transporte

Andei muito de metrô, que é super organizado, bem sinalizado e fácil se de achar. Existem várias linhas, e essas chegam à maioria (se não todos) os pontos turísticos importantes. O valor depende do horário e do dia da semana, mas em todas as vezes que andei de metrô, o valor era 660 pesos, o que equivale a mais ou menos R $3,30. O metrô funciona das 6h às 23:55. De ônibus você só pode andar se comprar o cartão BIP, pois eles não têm cobrador. Não andei de táxi, mas ouvi alguns relatos de que eles tentam enrolar os turistas. Nada fora do normal nesse mundo, né?

Hospedagem

Essa foi uma dificuldade que tive. Fico sempre em hostel e Santiago não tem muitas opções dentro do que eu normalmente busco, que é ficar por perto do agito, de lugares onde dê para sair a noite a pé. Mas se você não vai sair à noite, ou não se importa em pagar táxi, pode ficar em qualquer canto que seja próximo a uma estação de metrô, que estará bem localizado. Fiquei no Kombi Hostel, onde a diária em quarto feminino (com 6 camas) foi de R$ 40,00. Uma sugestão que dou sempre, é de verificar os comentários de hóspedes no Booking ou TripAdvisor antes de fazer a reserva, aí você consegue medir os prós e contras para tomar a melhor decisão.

Comida

Eles comem muita batata, muita mesmo. E os pratos são normalmente exagerados. Em todos os restaurantes que fui, cobram propina. Aquela gorjeta que você não quer dar, mas já vem junto com o valor total a pagar. Como eu já estava um pouco incomodada com a cidade em geral, não quis ser aquela que discute para não pagar a bendita propina. Quanto aos preços, tem pra todos os bolsos. Achei almoço por R$20,00 e também caí em um de R$40,00, mas tudo super bem servido. Se você for acompanhado, vale dar uma olhada no tamanho do prato antes de pedir, porque alguns dão para duas pessoas comerem de boa. Existem muitos fast foods, e nesses o valor é equivalente ao Brasil, então não vai ter susto no preço.

#ficaadica: Quando for comprar água, compre da marca Vital, porque  as outras têm um gosto horrível, até mesmo as com gás,  que deveriam disfarçar o gosto estranho.

E, afinal de contas, o que tem pra fazer em Santiago? Te conto no próximo post!

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