Category: WorkAway

WorkAway Bhaktivedanta Manor

Meu primeiro encontro com eles foi casual, em Roma. E de lá para cá, sempre terei um pedacinho do meu coração azul, da mesma cor de Krishna!

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Templo Hare Krishna | Foto: Mariana Sandini

Através do WorkAway fiz voluntariado na fazenda Hare Krishna (Bhaktivedanta Manor), na cidade de Watford (pertinho de Londres). Lá tive ótimos momentos, fiz amigos e não saí de lá com respostas, mas sim, com mais perguntas sobre de onde viemos e para onde vamos, faz parte. Muitas vezes mais perguntas ajudam mais do que respostas… Mas bem, vamos ao que interessa. Como é o trabalho voluntário na Bhaktivedanta Manor?

O trabalho é feito 5 dias por semana, os 2 dias de folga o voluntário escolhe. Sobre isso é bem tranquilo, pode ser avisado um ou dois dias antes. Os horários de trabalho são:

09:30: começa o trabalho
12:00 – 12:30: pausa
12:30 – 1:45: trabalho
01:45 – 3:00: pausa para almoço
03:00 – 17:15: trabalho

A escala de horários é bastante interessante, pois faz com que o trabalho fique leve e bem distribuído durante o dia. Além disso, houve dias em que o grupo negociou, por exemplo, não fazer o intervalo da manhã e terminar o trabalho mais cedo. Os chefes são bem flexíveis :)

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Altar do Templo | Foto: Mariana Sandini

Há basicamente cinco tipos de tarefas e o voluntário pode escolher o que deseja fazer. Claro, sempre de acordo com os interesses do grupo e do gestor.

Fazenda: o mais divertido e pesado. Na fazenda são cultivadas batatas, espinafre, abóboras e outros vegetais. No verão ajudei a colher, separar e lavar. No inverno a coisa é um pouco mais fedorenta (sim, fedorenta), pois se prepara o solo para a plantação, então uma das tarefas é espalhar esterco pelo campo, além de lavar batatas em dias um pouco frios.

Vista para a fazenda | Foto: Mariana Sandini

Vista para a fazenda | Foto: Mariana Sandini

Limpeza: quem se escalar para essa tarefa, deve limpar a cozinha coletiva dos voluntários, os banheiros e o trailer (meninas limpam o trailer das meninas e meninos o dos meninos).

Loja Hare Krishna: tem uma pequena loja perto do templo, em que são vendidos produtos naturais, entre outras coisas. Neste dia o voluntário deve manter a loja organizada e fazer vendas.

Loja Hare Krishna | Foto: Silvia

Loja Hare Krishna | Foto: Silvia

Venda de legumes: os legumes orgânicos da fazenda são vendidos em uma pequena “venda”, que é montada perto do templo, ao ar livre.

Cozinha: tem muita gente que não gosta de ir para a cozinha, pois basicamente se passa o dia todo descascando e cortando legumes. Poréééém, sempre rola uma conversa com o pessoal do templo, que estão sempre dispostos a explicar um pouco mais sobre o movimento Hare Krishna, o que torna o trabalho muito interessante.

Nestas últimas três tarefas não rola o intervalo da manhã.

Atividades extras (que devem ser feitas nos dias de folga)

Ordenhar vacas: as vacas para os Hare Krishna são especiais e tratadas com muito amor. É possível se voluntariar para ordenhá-las na parte da manhã. Uma coisa curiosa, é que em todo o tempo rola no som o Hare Krishna Mantra, para manter todos (nós e as vacas), no espírito da coisa.

Food for All: de segunda à sexta é possível ir com esta van, que distribui almoço gratuito na universidade de Londres e em diversos outros pontos. Estudantes, mendigos, gente de terno, e quem mais quiser saborear a deliciosa comida indiana são sempre bem vindos.

Lavar louça: é possível se candidatar para lavar louça na cozinha do templo e receber algo por isso. Dura de 4 a 5 horas, de MUITO trabalho, nas no fim do turno ₤25 compensadores. O trabalho é pesado, mas o clima da cozinha é leve e divertido.

Os voluntários tem alimentos para preparar o café da manhã na cozinha coletiva da fazenda, mas também, tem a opção de se tomar café da manhã no templo.

Café da manhã no templo | Foto: Mariana Sandini

Café da manhã no templo | Foto: Mariana Sandini

Almoço e janta são sempre no templo, com deliciosa comida indiana e vegetariana.

Outras coisas legais de lá, é que nos dias de folga dá para pegar uma carona para o centro de Londres com o pessoal do Food for All (assim não se gasta com metrô). E todos os sábados de noite, sai uma van do templo para cantar o Hare Krishna Mantra no centro de Londres (super divertido, para nós brasileiros, quase um carnaval, quaaase).

Brincando de sari | Foto: Sara Giancaterino

Brincando de sari | Foto: Sara Giancaterino

Além disso, é possível ir ao templo pelas manhãs e noite, para saber mais desta cultura tão diversa da nossa. O pessoal é sempre muito atencioso e lembro que frequentar o templo é uma opção do voluntário, jamais uma obrigação.

Fumar e beber não são permitidos na fazenda, mas fora do portão pode.

Digo certamente, que foi um dos melhores locais em que já fiz voluntariado. Se você é curioso sobre outras culturas e trabalho no campo, totalmente recomendo!

“Hare Krishna Hare Krishna
Krishna Krishna Hare Hare
Hare Rama Hare Rama
Rama Rama Hare Hare”
(Hare Krishna Mantra)

WorkAway em Oxton, Escócia

Cheguei na vila de Oxton (Escócia), dia 07 de janeiro e depois de quase 5 semanas me despeço deste local, cheia de novas experiências. Eu chamaria de sítio; com a casa dos donos, seus dois filhos, um atelier de cerâmica e bichos, muitos bichos, estilo um mini zôo.

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Amanhecer em Oxton | Foto: Mariana Sandini

O trabalho é feito de segunda a sexta e os finais de semana são de folga. Foi a primeira experiência deles com voluntária no inverno. Bem, e em tão tão inverno, a minha também!

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Minha casa trailer | Foto: Mariana Sandini

Fiquei hospedada em um trailer. Aconchegante, com cama confortável, sala de estar e cozinha. Claro, tudo integrado em uns 6×3 :) Um pouco inconveniente, é que o banheiro era na casa, o que era uma pequena mão, mas nada que fizesse o local ruim. Às vezes, um pouco friozin, mas nada que um belo chá e cobertores fofos e quentes não fizessem passar. Café da manhã, refeições aos finais de semana, jantas segunda e terça eram no trailer, e eu tinha toda a liberdade de fazer lista com as comidas que eu queria/gostava. Nos outros dias, com os chefes.

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Alimentando as emas | Foto: Stuart Miles

O trabalho era das 09:30 às 15:30. Alguns dias eu começava um pouco mais tarde e outros terminava um pouco mais tarde. Bem tranquilo.

Eu tinha uma certa rotina e algumas tarefas planejadas durante o dia, pois tudo também dependia do humor do tempo. Alguns dias fiz babysitting, ficando um pouco (uns 30 minutos quando foi de dia e em uma noite 2 horas, nada pago) com o bebê de 1 ano ou com o bebê + o irmão de 5 anos. Uns fofos.

Mas fazendo chuva ou sol, os animais tem que ser alimentados todos os dias! Uma experiência muito legal. Aqui eles tem dois tipos de emas, ovelhas, cisnes pretos, patos, gansos, galinhas, wallabies e outros pássaros, muitos pássaros, nunca vi tantos na minha vida!

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Dir. o trabalho na cerca | Foto: Mariana Sandini

A outra grande tarefa era reforçar a cerca da propriedade com um arame tipo de galinheiro, para evitar a entrada de raposas. Primeira parte: carregar por ai os rolos de arame de uns 20kg, depois, abrir os rolos na extensão da cerca. Segunda parte: prender todo o arame com mais um pedaço de arame. Terceira e última: cobrir o novo arame e o buraco embaixo dele com terra. Não sei exatamente o tamanho do local, mas parecia que não ia terminar nunca hehehe Bem, a terceira parte ficou para depois, mas o avanço já foi imenso.

Nos dias de muita chuva (porque com pouca chuva era lá fora mesmo), cortei algumas imagens em papel transfer para o atelier de cerâmica e fiz isolamento em uma janela nova (tipo colocar silicone para acabamento, mas com um material um pouco mais sólido, ao redor da janela e nas outras frestas).

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Meu quintal | Foto: Mariana Sandini

Uma coisa bacana, é que pude fazer aulas de cerâmica nas segundas-feiras. A coisa não tão bacana, é que minha jarra de biscoitos ficou bizarra e não tive tempo de terminar. De qualquer forma, foi uma experiência válida e inclusa no pacote WorkAway #forfree

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Eu alimentando alguns dos pássaros | Foto: Stuart Miles

Gostei de trabalhar neste local. Aprendi muitas coisas sobre pássaros e tive o contato mais próximo da minha vida com diversos animais maravilhosos. Além de reforçar que a vida no meio rural é árdua (principalmente no inverno), nunca tira férias e pode ter lama, muita lama. Mas isso tudo vale quando a gente fica bem pertinho dos bichos, parece até que rola um diálogo (bem, acho que rola mesmo).

WorkAway: o que é e algumas dicas ;)

Durante o planejamento da viagem investiguei a melhor forma de interagir com as culturas locais, e claro, de maneira barata. Selecionei o site WorkAway.info, e nestes últimos 7 meses tudo tem funcionado muito bem!

O que é e como funciona

Neste site, Bed & Breakfasts, Hostels, Fazendas e até mesmo Pessoas Físicas se cadastram gratuitamente, criando um perfil do host, para que os interessados se candidatem ao  trabalho voluntário. A maioria oferece estadia e refeições (confira sempre todas as infos no perfil do host). As horas de trabalho variam de 4 a 6 (mais que isso é demais para voluntariado), e certamente, lugares incríveis e pessoas maravilhosas passarão por sua vida de voluntariado, junto com muito aprendizado.

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Primeira seleção de filtros | Site WorkAway

Para se registrar como voluntário a taxa é de 29.00 USD (1 perfil) e 38.00 USD (perfil duplo), válido por 2 anos. Depois de pagar, é só preencher seu perfil e começar a busca pelo mundo!

Ai vão algumas dicas básicas:

– Mantenha seu perfil atualizado e coloque fotos dos seus trabalhos voluntários.

– Escolha sempre locais que tenham feedback. Você pode usar esta opção no seu filtro de busca.

– A opção Uptated listing também é um bom filtro, pois indica que o host fez alguma atualização recente em seu perfil.

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Filtros na busca pelo host | Site WorkAway

– Confira sempre o tempo de horas de voluntariado solicitado (afinal, você não quer um trabalho escravo).

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WorkAway em Stow, Escócia | Foto: Antonia Mayr

– Coloque no assunto da mensagem o período que você deseja permanecer no lugar (os hosts recebem muitas requisições, este primeiro filtro facilita a vida).

– Mande de 4 a 6 solicitações. Se não obter resposta em uns dois dias, mande um “Olá, gostaria de saber se você recebeu minha mensagem”.

– Por fim, antes de confirmar com sua melhor opção, Google it! Ache o local na web, procure mais detalhes, pois ninguém quer cair numa cilada!

– Chegando no local, tudo lindo maravilhoso, é bacana conversar com os chefes entre o primeiro e segundo dia de trabalho, para saber como funciona a rotina e  horários.

– Depois é só ser feliz, aprender e compartilhar experiências!

– Acabou? Deixou saudade? Nem tanto? Deixe seu feedback na pagina do host. É bom para você e bom para o local :)

Praia Albissola e Villa Gavotti

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Estação de Trem Albissola | Foto: Mariana Sandini

Quando eu estava em Roma recebi o convite/indicação para trabalhar em uma festa particular, com 30 convidados, para um pessoal de 20 e poucos anos, que seria realizada no castelo de uma família. Pensei: “E por que não?”. Lá fui eu, peguei o trem de Milão para Albissola (uma praia perto de Gênova). Recordando: depois de Roma, meu destino foi Milão. A passagem de trem Milão – Albissola custou 20€.

O castelo se chama Villa Gavotti. Chegando lá, fui recebida com um caloroso abraço, pela Nathalie e por sua filha, Elisa. As duas muito queridas. Com a Nathalie eu falava um mix de italiano com espanhol e com a filha italiano e inglês. O combinado foi 3 dias de folga e 3 dias de trabalho full time. Nos meus dias de folga fui para a praia de Albissola, Porto Fino e Santa Margherita.

Praia de Albissola

Bem, o que posso dizer… Nada igual as praias do Brasil (até agora). A areia é preta, com muitas pedras e a praia é dividida em praias privadas e praias públicas.

Para entrar nas praias privadas é necessário pagar em torno de 10€, com isso você tem direito a uma cadeira, guarda-sol e pagar pelas coisas que pedir no bar (obviamente eu fui na praia pública). Tanto nas públicas quanto nas privadas, o espaço é pequeno e as pessoas não costumam caminhar na beira da praia, pois entre um espaço e outro, muitas vezes existem divisões em que não se pode passar.

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Praia Pública de Albissola | Foto: Mariana Sandini

No primeiro dia fui para a praia sozinha, e foi tranquilo dar um mergulho enquanto as minhas coisas ficaram na areia. No segundo dia, conheci um simpático casal italiano e fiquei um pouco com eles.

Villa Gavotti

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Meu Quarto Villa Gavotti | Foto: Mariana Sandini

O local é muito bonito, porém não tanto conservado. Essa coisa de ter um castelo da família parece ser bem trabalhosa! Meu quarto era legal (quando cheguei limpei meu quarto e meu banheiro). Entretanto, meus banhos de princesa foram de água fria nos 3 primeiros dias, mas nos três últimos dias isso foi resolvido.

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Salão Aperitivo Villa Gavotti | Foto: Mariana Sandini

Foi muito legal poder andar por lá e descobrir passagens secretas (que provavelmente eram usadas pelos empregados). Nos 3 dias em que houve a festa, a Nathalie, eu e uma outra moça fizemos o trabalho (tudo já estava limpo e os quartos arrumados). As tarefas eram fazer o café da manhã, aperitivos nos fins de tarde, jantas e arrumar as coisas em geral (lavar muita louça, organizar as mesas, cadeiras e o salão para as jantas).

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Guacamole | Foto: Mariana Sandini

O que eu adorei, é que não sou suuuper cozinheira e chegou uma hora em que a Nathalie disse: “A guacamole é contigo”. Nada como ter 3G e o Google para me ajudar! Fiz com coragem, medo e muita pimenta. Incrivelmente o pessoal adorou! Comeram o que sobrou na vasilha de colher!

Os amigos da Elisa eram muito legais e atenciosos. Inclusive, havia duas meninas que falavam português. Foram dias realmente de muuuito trabalho, algo em torno de 12 horas por dia… O último dia foi bem bacana, pois depois que os convidados foram embora, eu, a Elisa e quatro amigos dela ficamos no jardim tomando uns drinks e dançando um pouco! Foi a hora do descanso.

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Salão Janta Villa Gavotti | Foto: Mariana Sandini

Valeu, pois pude ter a vivencia de passar esses dias no local, conviver com pessoal de várias nacionalidades (alemães, franceses e italianos) e também conhecer as praias de perto. E mesmo com a praia de Albissola não sendo uma maravilha, pegar um sol e tomar um banho de mar é sempre válido!

Chegando na Villa Silj

Bem, antes de chegar propriamente dito, peguei 3 trens e um ônibus. Nos trens a parte de comprar passagem é fácil (mas tem que ter cuidado que dependendo do local e horário a parada é sinistra, porque tem pobreza e pickpockets por aqui também).

E na hora de pegar o bus, quem disse que alguém sabia me informar como eu comprava passagem? Até que depois de dar umas 2 voltas na mesma quadra, pergunta pra umas 5 pessoas que me mandavam para qualquer lugar, um tiozinho me disse “Não precisa comprar, só vai”. Crianças, não façam isso, mas em caso de ser de noite, em uma região mais afastada, tá valendo! Entrei no bus e foi de boa. O motorista não sabia bem o lugar, mas foi super bacana, ajudou a procurar, desceu do bus para me mostrar onde era e me deixou na porta.

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Portão de Entrada Villa Silj | Foto: Mariana Sandini

O lugar é lindo em uma região afastada (lembram que to sem telefone né). Toquei, toquei, toquei na campainha (lembram… de noite, sem celular na estrada afastada), bati palma, gritei, chamei e nada :/ Foi então que chamei a brasileira que tem dentro de mim e dei um jeito. Deixei a mochila grande escondida num matinho do lado do portão e pulei no estilo gatuna. Foi a melhor coisa que fiz, pois o pessoal estava em casa e não tinham me ouvido.

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Minha Casa Trailer | Foto: Mariana Sandini

Fui super bem recebida pelo Bernard, a esposa dele e filho. Com direito a conversa, vinho e uma comida estranha de janta, mas muito boa. O lugar é super legal a tenho um trailer só pra mim, dentro de um jardim histórico em Roma.

Essa semana verei como será o trabalho. É a minha primeira experiência, e o bacana, é que é a primeira experiência do pessoal aqui também. O Bernad me disse que a esposa dele resistiu um pouco, mas de uma hora para outra ela disse “Tá, coloca lá no WorkAway”. E na mesma semana ele recebeu meu e-mail. Bem, bora fazer bonito pra deixar uma boa impressão do Brasil!

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