E chegamos ao último post desta série sobre o deserto do Atacama! Vamos direto ao que interessa?

Salar de Atacama

O Salar do Atacama é visitado no mesmo tour que leva às Lagunas Altiplanicas. No meio do salar encontra-se a Laguna Chaxa, onde tem uns flamingos muito mimosos. Esse não é aquele salar dos sonhos, branquinho como o Uyuni, na Bolívia. Devido às cordilheiras, o sal não é “filtrado”, por isso a cor na maior parte do salar é um cinza claro. Pelo que o guia contou, rola uma espécie de disputa entre o Salar de Atacama e o Uyuni. Isso porque o lado boliviano é mais bonito, mais visitado, mas em contrapartida, os chilenos dizem que o Salar de Atacama tem mais lítio que o dos vizinhos. A altitude nesse ponto é de boas. Uns 2300 metrinhos “apenas”.

Salar de Atacama | Foto: Bianca Santos

Salar de Atacama | Foto: Bianca Santos

 Geiser del tatio

Esse é o tour mais difícil. Acordar as 4:30h da manhã, com a temperatura “amena” de cerca de 2ºC, partir para uma viagem que vai te levar a 4800m de altitude e uma temperatura de -12ºC, 12 negativos!!! Quem vai, quem vai?

O ônibus possui calefação, obviamente, e ainda assim chegamos lá com gelo por dentro dos vidros. Chegamos ao campo geotérmico e tomamos desayuno dentro do ônibus, porque ninguém quis montar mesinha bonita na rua naquela friaca. A nossa guia nos pediu uns minutos para nos passar algumas informações e nos mostrar alguns dos gêiseres. Ela nos explicou como eles se formam, e nos mostrou ao fundo o vulcão que é o que “manda na porra toda”, já que é o responsável pelo calor que esquenta a água. Ao lado do vulcão, e possível ver o perfil de um homem, e a lenda então, é de que os gêiseres são o choro deste homem. El tatio significa “o avô que chora”. Dentre os 3 tipos de gêiser que ela nos mostrou, o que mais gostei foi um gêiser cíclico. Ele “entra em erupção” a cada 1 minuto mais ou menos, e a atividade dele dura uns 15 segundos. Em torno dele tem uma limitação, pois não se sabe exatamente o volume de água que ele vai expelir a cada atividade. Fiz um vídeo para vocês verem. Nos outros, se vê fumaça basicamente, ou fumarola, como eles dizem. Diferente do que se vê em sites por ai, a guia explicou que a atividade dos bonitos dura o dia todo, a diferença é a intensidade. Quanto mais frio, mais forte a atividade.

A parada seguinte é na piscina que é abastecida por água dos gêiseres. A essa altura o sol já havia aparecido, então já deveria estar uns… 5 graus negativos. Ainda não rola piscina. O espaço é muito bonito, possui estrutura para trocar de roupa, mas ainda assim encoraja poucos. Eu coloquei a mão na água, estava bem quentinha mesmo. Atrás da estrutura estão uns gêiseres maiores, mas não consegui ir até eles, pois a altitude me pegou de jeito neste passeio. Não é fácil respirar a 4800 metros de altitude.

Piscina de água dos gêiseres | Foto: Bianca Santos

Piscina de água dos gêiseres | Foto: Bianca Santos

Saímos do parque geotérmico e fomos a caminho do povoado de Machuca. No caminho, passamos pelo rio Putana, um rio lindíssimo, que estava totalmente congelado. De lá, avistamos o vulcão de mesmo nome. Este é um vulcão ativo, que dá pra ver até a fumaça saindo dele. Da beira do rio avistamos também a fumaça dos gêiseres da Bolívia, que fica a apenas 7km de lá.

Rio e vulcão Putana | Foto: Bianca Santos

Rio e vulcão Putana | Foto: Bianca Santos

No povoado de Machuca tem umas 3 ou 4 casas, e vivem, ao todo, cerca de 12 pessoas. É um povoado indígena, e vivem do turismo local. Não há muito o que ver lá, há apenas uma igreja em cima de um cume, que também não consegui ir devido ao problema com a altitude, e o espetinho de lhamo, que custa nada menos do que 2500 pesos chilenos, ou R$ 12,00. Não comi porque não tive coragem, admito. Sim, como carne, mas não como lhama. Aliás, a curiosidade fica por conta de que é carne de lhamO. Eles não comem a fêmea, só o macho.

 

Valle del Arcoiris

Este foi um passeio surpreendente e bizarro ao mesmo tempo. Havia agendado para um dia, mas me pediram para trocar para outro, pois naquele dia APENAS EU tinha escolhido visitar o local, então não valeria a pena. Beleza. Chega o dia, lota a van, mas cadê o guia? O guia é o motorista. Ou o motorista é o guia. Um senhor muito atencioso e que sabe muito, mas que não consegue dar a devida atenção, tirar dúvidas e ir explicando as coisas no caminho, como ocorreu nos outros tours. E com a estrada cheia de curvas, ninguém quer tirar a atenção do motorista/guia pra fazer perguntas, né.

Valle del Arco Iris | Foto: Bianca Santos

Valle del Arco Iris | Foto: Bianca Santos

Chegamos ao vale, ele nos deixou na parte mais alta, explicou um pouco sobre a formação e composição das rochas, e desceu com a van para nos esperar na parte mais baixa com o café pronto. O que é incrível deste vale e que não existe um padrão de rochas como o vale de la luna, por exemplo. Para cada lado que você olha existe um tipo de rocha, com um formato diferente, um cor diferente, e sim, textura diferente.

Mas fiquei de fato intrigada, pois havia pouca gente lá também. Não sei se as agências não divulgam muito este passeio, ou se o problema sou eu mesmo.

Na volta, passamos no parque de Hierbas Buenas, que na verdade só vi um tipo de erva e não sei nem pra que serve. Pelas histórias que o guia nos contou, as “Ervas Boas” são ervas que o povo utilizava para os rituais, onde faziam os petroglifos, desenhos riscados na pedra (os pintados se chamam hieróglifos), que são a parte mais importante do parque. Essas ervas não são legalizadas, por isso não tem lá. Né?

Petroglifo lhamas sobrepostas | Foto: Bianca Santos

Petroglifo lhamas sobrepostas | Foto: Bianca Santos

Quanto custa cada tour pela agência Atacama Connect:

– Valle de la Luna e Valle de la Muerte – 10.000 CLP

– Lagunas Altiplânicas e Salar de Atacama – 25.000 CLP

– Geiser del Tatio – 20.000 CLP

– Valle del Arcoiris e Hierbas Buenas – 25.000 CLP

No final das contas saiu 70.000 CLP (R$ 350,00), porque ganhei desconto através do hostel.

Agora simplesmente preciso fazer algumas considerações finais sobre o deserto.

Passei por uma situação de corte de água lá, que para os moradores é comum, mas que para nós, pessoas não acostumadas com a situação, é estranho, mas ao mesmo tempo é uma ótima oportunidade para repensar no seu consumo e em como pode fazer para economizar.

Fiquei positivamente surpresa com a simplicidade e simpatia do pessoal que vive em San Pedro. Como viajante, honestamente não havia encontrado pessoas tão educadas e gentis como lá. Minha surpresa foi porque lá tem muito turista, e em experiências anteriores havia chegado à conclusão de que quanto mais turística a cidade, mais mal educados são os seus moradores. O que é até compreensível, já que tem um bando de gente estranha tomando conta da sua cidade o tempo inteiro.

O deserto, assim como a praia, tem um cheiro muito específico, o qual não sei explicar, apenas sentir! Hahaha!

E deixo aqui o link para o álbum onde estão algumas das fotos que tirei nessa trip.

Enfim, saudades, Atacama! Espero te ver novamente! <3